|
A perda involuntária da urina e das fezes é um dos problemas mais significantes para muitos idosos, conhecido como "incontinência urinária e/ou fecal". Embora a perda urinária seja mais freqüente que a fecal, muitas vezes ambas podem ocorrer ao mesmo tempo.
Perda involuntária da urina ou incontinência urinária
Não é considerada uma doença, mas é um problema que restringe a pessoa no seu aspecto físico, interferindo também no psicológico e dificultando as relações sociais.
A incontinência persistente pode ser classificada em quatro categorias:
1. Incontinência de estresse (tensão, nervoso): este tipo de perda da urina pode ocorrer durante os exercícios, ou em situações de espirro ou de riso.
2. "Urge" incontinência ou incontinência de urgência: é a perda involuntária da urina associada à vontade de urinar, freqüentemente associada com a condição da pessoa, como acidente vascular cerebral, demência senil, doença de Parkinson, escleroses múltiplas, mas pode ocorrer também em pessoas idosas normais. Está associada com a instabilidade do músculo da bexiga.
3. Incontinência por transbordamento: é a perda involuntária da urina quando a pressão da bexiga é maior do que a uretra.
4. Incontinência funcional: quando há perda da urina associada à falta de vontade de usar o banheiro.
A forma de lidar com o idoso incontinente deve ser baseada na avaliação feita pelo médico em relação ao problema apresentado. Esta avaliação inclui a história do paciente com relação à incontinência: duração, freqüência, hábitos miccionais, sensações apresentadas durante e após urinar, hábitos higiênicos, líquidos ingeridos, fatores do ambiente em que vive o idoso, dentre outros.
Assistência aos idosos com capacidade de controle urinário
Os objetivos da assistência aos idosos é promover a continência, prevenir a incontinência e melhorar a condição dos incontinentes. A assistência pode ser dada em cinco etapas:
1ª: uso de medicamentos: são geralmente usados com outros tratamentos. Assim, deve-se instruir o idoso quanto a horários de administrar medicamentos, quantidades e vias de aplicação; alertando o idoso e os familiares, deve-se registrar mudanças de pressão arterial, do estado mental e de outros fatos ocorridos para comunicar à enfermeira ou ao médico.
2ª: ações educativas: as ações educativas estão relacionadas com o tipo de incontinência, e podem ser desenvolvidas pelo cuidador com orientação da enfermeira. Entre essas ações educativas, destacam-se:
|
|
exercícios de Kegel: utilizados na incontinência de "estresse e urge". Por meio deles a pessoa idosa contrai os músculos do períneo por três segundos enquanto mantém os músculos do abdômen relaxados. |
|
|
treinamento da bexiga e do hábito miccional: envolve o ato de urinar em horários predeterminados, com o objetivo de evitar a incontinência. |
Sugere-se oferecer ao idoso líquidos adequados às suas necessidades; verificar a forma mais adequada para fazer a higiene; programar um horário para urinar e anotar os horários em que ocorre a incontinência.
3ª : cateterização: a cateterização é um dos tratamentos mais controvertidos no combate à incontinência urinária.
4ª : atuação ambiental: é importante o ambiente em que o idoso vive, pois este pode facilitar ou dificultar a caminhada para o banheiro, ou então considerar o uso de papagaios e/ou comadres.
5ª : aspecto psicossocial: o cuidador deve estimular o idoso para participar de várias atividades que evitem a depressão e o isolamento.
Assistência aos idosos incontinentes que não possuem o controle urinário
Os idosos incontinentes que perderam o controle urinário são os que apresentam distúrbios como demência, acidente vascular cerebral, paciente sob efeito de drogas, e outros.
É importante lembrar que nos cuidados do idoso do sexo masculino podem ser utilizadas luvas tipo cirúrgicas e/ou fraldões.
Incontinência fecal
Alguns hábitos podem interferir no funcionamento da eliminação fecal tais como:
|
|
tipo de alimento; |
|
|
a quantidade de líquido ingerido; |
|
|
os hábitos individuais (exercícios); |
|
|
horário das refeições; |
|
|
meio ambiente; |
|
|
fatores socioculturais; |
|
|
uso de medicamentos; |
|
|
estresse e ansiedade. |
Quando ingerimos um alimento, ele é digerido no trato digestivo e absorvido pelas células dos tecidos através da mucosa; o material que não serve para o organismo é eliminado através das fezes.
Incontinência fecal é a alteração da necessidade de eliminação, na qual há perda do controle do esfíncter, com conseqüente perda de fezes sem que a pessoa perceba, levando a um distúrbio na eliminação intestinal.
Pode ter como causa:
- acúmulo de fezes ou constipação intensa, com extravasamento de fezes já formadas ou de diarréia mucosa;
- doenças neurológicas, com perdas do controle das contrações retais.
É possível que algumas das causas de a constipação ser mais comum em pessoas idosas do que em pessoas mais novas sejam a ausência de exercícios, os erros alimentares e a diminuição dos movimentos intestinais.
A falta de exercícios pode resultar em dificuldade na defecação, portanto, tornam-se necessárias uma dieta rica em fibras e uma boa ingestão de líquidos para aumentar os movimentos intestinais e amolecer as fezes.
Os cuidados necessários à pessoa idosa com incontinência fecal incluem:
|
|
assegurar a privacidade da pessoa; |
|
|
providenciar a comadre ou levá-la até o vaso sanitário, deixando-a apenas o período necessário. Atender rapidamente ao chamado; |
|
|
observar as características das fezes em termos de quantidade, coloração, consistência e freqüência; |
|
|
observar a ocorrência de eliminação de gases pelo reto, pela boca e a presença de distensão abdominal; |
|
|
fazer a higienização, procedendo a lavagem externa com água morna e sabonete a fim de evitar a reinfestação de verminose e a infecção do trato urinário; |
|
|
observar se existe vermelhidão ou prurido na região anal; |
|
|
estar atento para a ingestão hídrica e o tipo de alimentação; |
|
|
encorajá-la a evacuar logo após as refeições, dada a ocorrência do reflexo gastrocólico. |
|